Agente Secreto, vai dar merda 06 eu avisei que vai dar merda
Eu realmente estava esperando algo grande nesse aqui com toda a fanfarra que fizeram para falar bem do cabra, mas ai tu começa a ver e logo bate aquela baita sensação de broxura
Kleber Mendonça deveria, com urgência, ministrar cursos de lobby cultural. Não como eletiva — como disciplina obrigatória.
Pouca gente domina tão bem essa arte invisível e indispensável no mundo do cinema autoral: transformar filmes medianos em eventos históricos antes mesmo de alguém apertar o play.
Todo filme do sujeito é recebido como se fosse a reencarnação perdida de Orson Welles filmando Bergman com verba da Ancine. E, no entanto, quando você assiste… bem, o milagre não acontece. O que acontece é outra coisa: tédio contemplativo vendido como profundidade.
Assisti ao celebrado “Agente Secreto” quase em estado meditativo. Não por escolha espiritual, mas por sobrevivência. O filme é lento, insosso e não leva absolutamente a lugar nenhum — o que, curiosamente, parece ser parte do conceito. Não há tensão, não há descoberta, não há catarse. Há apenas a sensação constante de que algo vai começar… e nunca começa.
Wagner Moura, um ator talentoso, entrega aqui uma atuação curiosamente ausente. Flat. Automática. Como se estivesse cumprindo tabela entre um café e outro. Chamar isso de “atuação digna de Oscar” não é só exagero — é evidência de que a premiação morreu em 2000 e, desde então, segue apenas como uma entidade espiritual confusa, assombrando salas de cinema.
O hype em torno do filme é fascinante. É como ver uma convenção inteira concordar, em silêncio, que o rei está nu — mas fingir entusiasmo porque alguém importante disse que aquilo é roupa de alta-costura.
Não se trata de desprezar cinema nacional, nem de rejeitar filmes autorais. Trata-se apenas de honestidade intelectual: o produto entregue é muito, mas muito inferior ao que está sendo vendido. E vender tédio como genialidade não o transforma em arte — só em marketing bem-sucedido.
