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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
enfim mais um filmin brasileiro morno morno
Agente Secreto, vai dar merda 06 eu avisei que vai dar merda
Eu realmente estava esperando algo grande nesse aqui com toda a fanfarra que fizeram para falar bem do cabra, mas ai tu começa a ver e logo bate aquela baita sensação de broxura
Kleber Mendonça deveria, com urgência, ministrar cursos de lobby cultural. Não como eletiva — como disciplina obrigatória.
Pouca gente domina tão bem essa arte invisível e indispensável no mundo do cinema autoral: transformar filmes medianos em eventos históricos antes mesmo de alguém apertar o play.
Todo filme do sujeito é recebido como se fosse a reencarnação perdida de Orson Welles filmando Bergman com verba da Ancine. E, no entanto, quando você assiste… bem, o milagre não acontece. O que acontece é outra coisa: tédio contemplativo vendido como profundidade.
Assisti ao celebrado “Agente Secreto” quase em estado meditativo. Não por escolha espiritual, mas por sobrevivência. O filme é lento, insosso e não leva absolutamente a lugar nenhum — o que, curiosamente, parece ser parte do conceito. Não há tensão, não há descoberta, não há catarse. Há apenas a sensação constante de que algo vai começar… e nunca começa.
Wagner Moura, um ator talentoso, entrega aqui uma atuação curiosamente ausente. Flat. Automática. Como se estivesse cumprindo tabela entre um café e outro. Chamar isso de “atuação digna de Oscar” não é só exagero — é evidência de que a premiação morreu em 2000 e, desde então, segue apenas como uma entidade espiritual confusa, assombrando salas de cinema.
O hype em torno do filme é fascinante. É como ver uma convenção inteira concordar, em silêncio, que o rei está nu — mas fingir entusiasmo porque alguém importante disse que aquilo é roupa de alta-costura.
Não se trata de desprezar cinema nacional, nem de rejeitar filmes autorais. Trata-se apenas de honestidade intelectual: o produto entregue é muito, mas muito inferior ao que está sendo vendido. E vender tédio como genialidade não o transforma em arte — só em marketing bem-sucedido.
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